domingo, 25 de abril de 2010

ANTIGUIDADE CLÁSSICA - DISPARIDADES NA ARQUITETURA GRECO-ROMANA: PARTHENON vs. PANTHEON



Grécia e Roma são a essência dos que podemos chamar de Período Clássico ou Antiguidade. Com civilizações próximas, porém diferentes, tais sociedades deixaram enraizadas na história do homem muito mais que “monumentos arquitetônicos”; de um lado os gregos legaram-nos um vasto acerto filosófico, artístico e cultural; de outro, os romanos contribuíram imensamente com desenvolvimento de suas cidades e construções, incorporando uma nova linguagem arquitetônica que perdura até o pensamento pós-moderno.
Relativamente à arte, os gregos exerceram uma influência muito grande na orientação da cultura ocidental. Desenvolveram cânones, que eram unidades, regras e valores pré-estabelecidos para a concretização da obra de arte ideal. O belo só existia caso estes cânones fossem aplicados, transformando a arte numa produção exclusivamente racional.
A arte romana é caracterizada pela coexistência de características advindas de vários lugares (etruscos, latinos e gregos) o que, não lhe concedendo uma unificação e coerência igualáveis às gregas (que derivaram de povos invasores – os helenos), lhe proporcionou um programa artístico diversificado e interessante a vários níveis, como o da fusão da arte provincial com as formas artísticas mais elevadas provenientes da capital.
Diante de tal importância das sociedades grega e romana se faz necessário contextualizar o momento histórico em que se erigem os mais famosos e importantes templos da Antiguidade: o Parthenon, grego; o Pantheon, romano, a fim de que se cumpra o principal objetivo deste texto de maneira construtiva e precisa: resenhar acerca das principais motivações que levaram as civilizações grega e romana a erguerem tais construções, bem como diferenciar tais templos segundo os seus pontos mais relevantes e tangíveis.
O Parthenon talvez seja o maior e o mais influente templo de todos os tempos. Dedicado à Atena, deusa grega da sabedoria e guardiã da cidade-estado Atenas, que lhe deve o nome, o Parthenon assinalou o zênite da arquitetura grega antiga.
A Acrópole, em geral, e o Parthenon, em particular, erigido após as Guerras Médicas (490-480 a.C.), nas quais os gregos venceram os persas, constituem um conjunto artístico monumental, com o qual Péricles pretendeu revelar ao mundo os virtuosismos de uma cultura e de uma civilização, glorificando Atenas. Levando onze anos sendo aperfeiçoado pelos arquitetos Ictíno e Calícrates, o Parthenon aproxima-se do monumento político porque, por um lado, a introdução de “elementos jônicos” num templo dórico serviu a estratégia de Péricles de agradar aos aliados Jônios, a quem os rivais espartanos acusavam de serem frágeis e de se terem deixado vencer pelos Persas e, por outro lado, a representação nas suas métopas de cenas de gigantomaquia (combate mitológico dos gigantes com os deuses), centauromaquia (combate mitológico contra os Centauros), amazonomaquia (combate mitológico dos atenienses contra as Amazonas) e da Guerra de Tróia, que aludem diretamente ao confronto entre o racional e o irracional, entre o Ocidente e o Oriente, ou seja, entre Gregos e Persas, constituiu um símbolo da vitória da liberdade e da democracia ateniense sobre o despotismo imperial persa.
Simbolicamente, o Parthenon representava aspectos essenciais da cultura e sociedade gregas. O templo era, simultaneamente, um local de reunião e de veneração dos valores essenciais do pensamento grego, sobretudo o de povo/democracia, por mais que este se apresentasse sob uma ótica restrita, até certo ponto, no que tange a participação de todos nas decisões da vida coletiva, etc. Para eles, então, um templo como o Parthenon não era apenas belo e impressionante, mas também um símbolo de todos os valores essenciais que mantinha unida a sua perfeita civilização.
O Pantheon está para Roma assim como o Parthenon está para a Grécia. Ele representa o ponto alto do projeto e da engenharia estrutural dos romanos e resume a diferença entre as maneiras grega e romana de construir. Acredita-se que tenha sido projetado pelo próprio imperador Adriano, por volta de 27 a.C. e sua reconstrução entre 115 a 125 d.C.
O seu nome vem do grego (pántheion), que significa “de todos os deuses”, transformado em Pantheon pelos autores latinos. Sua arquitetura refletia, se assim podemos dizer, a postura sóbria diante da vida dos romanos, da construção de cidades e do império, diferentemente dos gregos. Assim, o Pantheon é um edifício vasto de engenharia arrojada, pois sua cúpula foi a mais ambiciosa do mundo, até Brunelleschi erguer a sua na catedral de Florença, entre 1420 e 1436.
Os romanos aperfeiçoaram as técnicas gregas e incorporaram uma gama de novos materiais em suas construções. O principal destaque teve o concreto, assim, tornaram-se mestres do que podemos chamar de “construção plástica”; em outras palavras, o concreto – material plástico e maleável – possibilitava que os romanos construíssem livremente e em escala. A partir daí, começaram a surgir poéticas muito diferentes ao analisarmos ambas as civilizações.
Essencialmente, os romanos adotaram a arquitetura grega como inspiração. Eles fizeram grande uso das ordens dórica, jônica e coríntia, acrescentando a elas duas próprias: a toscana, de origem etrusca, como uma dórica simplificada, e a compósita, uma combinação das ordens jônica e coríntia. Nasce, então, um novo significado na arquitetura romana, que nos permite identificar uma série de outros aspectos diferentes da arquitetura grega. O Parthenon e o Pantheon são os melhores exemplos para tal.
A seguir, apresentar-se-á uma análise comparativa que permitirá observar as principais diferenças entre tais templos, no âmbito da presença das ordens, espacialidade (interior vs. exterior), sistema estrutural, materialidade e morfologia.
“Uma perfeita história da arquitetura é a história dos múltiplos coeficientes que informam a atividade edificatória através dos séculos e englobam quase uma gama dos interesses humanos. A arquitetura corresponde a exigências de natureza tão diferentes que descrever o seu desenvolvimento fica entender a própria história da civilização”. A partir deste extrato de Bruno Zevi em Saber ver Arquitetura, podemos observar claramente que a arquitetura corresponde diretamente a uma necessidade intrínseca da sociedade na qual se erige um objeto arquitetônico. Não há como não conceber o pensamento de que a arquitetura é um espelho dos ideais de cada civilização.
Para os gregos, arquitetura é plástica. O seu templo caracteriza-se por uma lacuna e, de certa forma, uma supremacia incontestada através de toda a história. Tal lacuna corresponde na “ignorância de seu espaço interior”, na glória da escala humana, como propõe Zevi. Explorando ainda o que este teórico defende sobre uma crítica à arquitetura grega, pode-se ver que ele se coloca, sob o ponto de vista espacial, frustrado, chegando a dizer, inclusive, que este se trata de um exemplo típico de “não-arquitetura”, “mas quem se aproxima do Parthenon e o admira como uma grande escultura fica encantado como só acontece diante de pouquíssimas obras do gênio humano” . A partir de tal colocação, podemos concluir que o idealizador do Parthenon parece simbolizar o caráter meramente escultórico desta construção. O exterior do edifício era muito mais importante do que o interior, tanto que seu espaço interno era somente destinado ao deus, no caso, à Deusa Atena, sendo, portanto, vetada a entrada do público.
Assim, havia uma verdadeira busca da perfeição estético-visual; eles, através de vários estudos de proporções, utilizam técnicas de correção visual para assegurar que o templo parecesse perfeito ao olho humano. Uma dessas técnicas é conhecida como êntase, que consiste na leve deformação das colunas e das arquitraves nas fachadas e laterais do edifício, a fim de que o nosso olho enxergasse linhas retas quando, de outra maneira, elas pareceriam curvas.
Ainda com relação à questão espacial exterior/interior do Parthenon, poderíamos dizer que seu espaço interior provavelmente não foi pensado do ponto de vista criativo. Isto porque não respondia diretamente a funções e interesses sociais gregos: é um espaço não encerrado, ou seja, público, mas que intrinsecamente carrega um caráter privado, pelo fato de ser literalmente fechado; o espaço interior fechado é precisamente característico da escultura. O templo grego não era concebido como a casa dos fiéis, mas como a moradia impenetrável dos deuses. Até porque os ritos eram realizados no lado de fora, ao redor do templo, e toda a atenção e o amor dos “escultores-arquitetos” foram transformar as colunas em sublimes obras primas plásticas e cobrir de magníficos baixos-relevos lineares e figurativos as traves, os frontões e as paredes.
A civilização grega se exprimiu ao ar livre, fora dos espaços internos e das habitações humanas, fora mesmo dos templos divinos, nos recintos sagrados, nas acrópoles, nos teatros descobertos.
Passando para a arquitetura romana, ainda no contexto espacial, observamos muitas reconstruções de monumentos do império e imaginamos o espaço e o gosto do foros como deviam ser. Baseados nisso, podemos até dizer que muitos edifícios romanos não eram obras de arte, do ponto de vista escultórico, mas nunca poderíamos dizer que não eram arquitetura. O espaço interior do Pantheon está presente de maneira grandiosa e se os romanos não tinham o sensível requinte dos “escultores-arquitetos” gregos, é porque este não era seu objetivo. Eles valorizavam o espírito pragmático; a arquitetura tinha o objetivo de responder a uma necessidade funcional da sociedade.
O espaço do Pantheon é configurado a partir do seu interior. É clara a antítese de espacialidade interna e externa do Pantheon vs. Parthenon. Fundamentalmente, os romanos tomaram as colunatas que cingem o templo grego e as transportaram para o interior, ao contrário dos gregos. A civilização grega fez isso poucas vezes, e mesmo quando o fez, isto respondia a uma necessidade estritamente construtiva, para sustentar as traves da cobertura, e não como uma concepção espacial interior. No Pantheon, além da necessidade técnica de sustentar a sua gigantesca abóbada, soma-se o fato da escala monumental da arquitetura imperial romana, na qual os homens vivem e agem segundo uma filosofia e uma cultura que rompem a contemplação abstrata, o perfeito equilíbrio do ideal grego, enriquecendo-se psicologicamente, fazendo mais instrumentais, mais propensa a símbolos retóricos de grandeza.
Transportar as colunas gregas para o interior do Pantheon significa deambular o espaço fechado e fazer convergir toda a decoração plástica à potencialização desse espaço. Assim, percebemos que a arquitetura romana presente no Pantheon exprime uma afirmação de autoridade, de poder, que é o símbolo que domina a multidão de cidadãos e anuncia que o império existe.
As diferenças não param por aí. Utilizando a ordem dórica, os gregos erguem o Parthenon. A partir da colocação de Vitrúvio de considerar que as ordens tivessem uma personalidade, podemos, imageticamente, associar a ordem dórica do Parthenon a uma exemplificação da proporção, força e graça do corpo masculino. Já sob a ótica de Serlio, a ordem dórica estaria presente em construções ligadas a santos da igreja, sobretudo santos combativos e extrovertidos, tais como São Pedro, São Paulo ou São Jorge. Diferentemente do Parthenon, o Pantheon erige-se sob a ordem coríntia, que se associa à beleza feminina, para Vitrúvio, e às virgens e puras, tal como Maria, para Serlio.
O fato é que as ordens devem ter sido escolhidas principalmente em função do gosto, das circunstâncias e, provavelmente, em função dos meios disponíveis, já que em uma construção que é empregada a ordem dórica ou toscana é, obviamente, mais barata do que aquela que aparece a escultórica ordem coríntia. Por outro lado, no caso do Parthenon e do Pantheon, é provável que a escolha das respectivas ordens dórica e coríntia foi feita em função do caráter simbólico que cada ordem propicia à construção. Podemos associar a escolha do dórico no Parthenon para expressar rudeza e força e, como propõe Summerson em A linguagem clássica da arquitetura, para expressar uma postura marcial, ou seja, que remete à guerra. Podemos aludir esta postura ao fato de as métopas e tríglifos do Parthenon representarem a vitória grega sobre os persas, como dito anteriormente. As largas caneluras utilizadas nas colunas dóricas empregadas formam arestas vivas, de modo que a gradação claro-escuro possa se refratar, criando menos linhas verticais, para que se tenha uma noção maior de peso. Diferentemente das caneluras de aresta abatida dos fustes coríntios do Pantheon, nos quais se almeja o oposto extremo: criar verticalidade e leveza. A coluna dórica do Parthenon é desprovida de base; apóia-se diretamente sobre o estilóbata, ao contrário das colunas do Pantheon.
No caso romano, a ordem coríntia deve ter sido escolhida para expressar abundância, luxo e opulência a qualquer preço, visto que essa era uma característica do Império Romano em demarcar o território sobre o qual está presente, de forma a mostrar todo o seu poder e conquista.
No templo coríntio, caso do Pantheon, aparece um elemento novo, o plínto, uma espécie de paralelepípedo alto que eleva a base das colunas do plano da estilóbata. Essa elevação indica a tendência de uma abertura mais livre do edifício para a luz e a atmosfera. Isso se pode comprovar diante da elasticidade dos contornos na êntase, pelos capitéis em forma de cesto, com folhas encrespadas de acanto, pela decoração mais movimentada e naturalista do Pantheon.
É interessante e instigável se observarmos a presença das ordens gregas na arquitetura romana. Estes, ao aperfeiçoarem o sistema de arcos e abóbadas, partindo do uso do bom senso, teoricamente teriam que se livrar do uso das ordens, deixando os arcos e abóbadas encontrarem expressão própria. Mas não era o que acontecia. Os romanos, ao adotarem os arcos e abóbadas em suas construções, fizeram questão de empregar as ordens de maneira mais visível o possível. Talvez achassem que, como diz Summerson, sem as ordens, o edifício não poderia ser significativo. Assim, ao integrar a arquitetura primitiva, mas estilizada dos gregos, baseada num sistema estrutural simples com seus arcos e abóbadas, tecnicamente mais complexos, empregam as ordens não como mera decoração, mas como instrumento de controle da composição, dos novos tipos de estrutura, renovando a linguagem arquitetônica. Apesar de muitas vezes serem estruturalmente inúteis, as ordens com cerimônia em grande elegância, dominam e controlam a composição a qual estão associadas, tornando os edifícios expressivos. “Isso permite que se compreenda (...) que, na linguagem clássica da arquitetura, as ordens não estão simplesmente penduradas na estrutura, mas sim integradas a ela (...)” e o tempo todo a controlam.
Como já citado, os gregos partem de um sistema estrutural simples para construir o Parthenon, o conhecido sistema trilítico ou arquitravado, que é uma variação do sistema mais simples da construção, baseado no esquema coluna – viga – coluna. Os elementos estruturais constitutivos do templo grego são uma plataforma elevada (chamada crepidoma, que corresponde à área sobre a qual se assentam as fundações), uma série de colunas isoladas apoiadas sobre ela e um entablamento contínuo que sustenta o teto. Os suportes são as colunas, cujo diâmetro é proporcional à altura e ao intervalo, manifestando, assim, visivelmente a lei de medida e de equilíbrio de forças que rege a natureza, pois como se sabe, “(...) a sociedade grega funda no pensamento de um perfeito equilíbrio entre humanidade e natureza: nada existe na realidade que não se defina e tome forma na consciência humana”.
Para os romanos, o sistema estrutural baseia-se no estudo dos arcos e das abóbadas. A forma-base do Pantheon é o arco, estrutura curvilínea que recolhe e individualiza os pesos e os empuxos nos pontos de assentamento onde se liga às colunas de sustentação. Este arco nada mais é do que uma estrutura de superfície, um semicírculo. Da união de arcos sucessivos de mesma amplitude tem-se uma abóbada de berço, que tem forma de meio cilindro. Duas abóbadas de berço que se cruzam ortogonalmente formam uma abóbada de aresta, que resulta, assim, na formação de seis arcos, quatro laterais e dois transversais. Assim, forma-se um forte sistema de forças combinadas que permite cobrir grandes vazios e, especialmente, estabelecer uma clara distinção entre espaço externo, em que está situado o edifício, e o interno, contido no edifício. Desta forma, chega-se à conclusão lógica de uma estrutura arquitetônica feita de linhas e de superfícies curvas: a cúpula, calota hemisférica, feita de materiais leves: no exterior, sua convexidade resume e conclui as massas murais; no interior, sua concavidade domina e coordena os vazios, como observa Argan.
Quanto à questão da materialidade, no Parthenon o material base é o mármore. Utilizando a técnica do corte da pedra, ou estereotomia, os gregos fizeram uso em escala desse material. O telhado do Parthenon é feito de madeira e, apesar disso, sobreviveu em boa forma desde o término da sua construção até o ataque veneziano a Atenas em 1687, quando a Grécia estava sobre o controle dos turcos.
Já para os romanos, na base do sistema técnico construtivo não havia, como na Grécia, o duro e cristalino bloco de mármore esquadrinhado, mas, muitas vezes, uma matéria pobre ou tenra, sem esplendor, como o tufo, e depois, a mistura informe do aglomerado betume e pedras de cantaria, que se apresentavam sob diversos tipos, formando uma face mural externa de paralelepípedos. A espécie de muramento que daí resulta não tem, certamente, a nitidez do mármore, mas é leve, elástico, flexível. Assim, fica adaptado a um desenvolvimento formal para linhas e superfícies curvas: de fato, no Pantheon, sobretudo na arquitetura romana, diferentemente da arquitetura grega do Parthenon, que é inteiramente colocada sobre linhas retas, a curva é o princípio formal de toda a construção. O mármore e o estuque ganham destaque, pois servem para o revestimento em geral para ocultar materiais de qualidade inferior, como tijolo, tufo, etc, garantindo, assim, aparência de unidade.
Os romanos tinham conhecimento da natureza dos diferentes tipos de materiais de construção. A partir disto, usaram materiais mais leves em direção ao teto da cúpula do Pantheon. Sobre o nível mais baixo, concreto e travertino (rocha calcária) foram os materiais mais utilizados e, em seguida, uma mistura de tufo, calcário e travertino, seguindo de tufo, calcário e tijolos, até, então, chegar ao topo da cúpula, onde se utilizou pedra-pomes, o mais leve dos materiais utilizados no teto da cúpula. Esta utilização de materiais mais leves em cima aliviou um imenso peso estrutural.
“Os telhados romanos também se diferenciavam dos telhados gregos, onde todas as peças eram trabalhadas somente sob o esforço de compressão. Os romanos inauguram a tesoura moderna, criada a partir de um triângulo indeformável, onde a linha é tracionada e o pendural trabalha flutuando, ou retesado na linha como a corda de um arco. O resultado estrutural era uma solução de estabilidade que permitiu a construção de vãos livres de 20 metros como a Basílica de Trajano e outras pontes. Ocasionalmente substituíam o madeirame dos telhados por estruturas metálicas como na Basílica Ulpiana ou no pórtico do Pantheon”.
Partindo desta diferenciação de materiais, chegamos à morfologia, uma vez que o tipo de material é determinante na forma do que se quer construir. Como já citado, os romanos tinham como forma-base a curva e, sem sombra de dúvidas, os materiais empregados na construção de seus templos permitiam o uso tão freqüente de tal forma. No Parthenon, assim como na arquitetura grega como um todo, há o domínio das formas retilíneas, sobretudo, de formas retangulares. O templo grego é uma estrutura volumétrica aberta, não se separa com paredes contínuas um espaço interior do exterior, mas insere-se no espaço natural, atmosférico e luminoso, com repetição rítmica das suas formas plásticas e dos seus intervalos proporcionais. Portanto, a forma do templo “(...) resulta do equilíbrio ou da proporção de verticais e horizontais; no alto, o frontão triangular resume e conclui, quase estabelecendo sua medida proporcional nos lados oblíquos, os dois grandes temas estruturais da carga (horizontais) e da sustentação (verticais)” . Diferentemente da arquitetura grega do Parthenon, a forma do Pantheon tende a desenvolver-se livremente no espaço, com uma sucessão de massas modeladas e de vazios conjugados, articulados e desdobrados. Os grandes volumes fechados (cúpula) se alternam com os grandes vazios arquitetonicamente definidos (espacialidade interna). O templo romano difere do grego pela profundidade do pórtico e a mixagem de formas na planta, ostentando a forma circular, principalmente.
As proporções rigorosamente geométricas do Pantheon (altura da cúpula igual ao seu diâmetro; raio da cúpula igual ao raio do cilindro sobre o qual se assenta, é também igual à altura) conferem-lhe a imagem simbólica do globo terrestre assentando sobre a terra. É, ainda, composto por três elementos geométricos primários: o frontão, que serve de pórtico do octástilo, um cilindro abobadado e uma forma retangular tão larga quanto o pórtico e tão alta quanto o cilindro, introduzido entre os dois corpos.
Como observa Argan, “o tipo do templo romano deriva do etrusco e, depois, do grego; mas sua forma corresponde a uma função diversa. Uma vez que o rito religioso é também cerimônia pública, da qual participam as autoridades do Estado e a população, ele se realiza na parte exterior: diante do templo existe para esse fim um vasto espaço livre; a construção surge sobre um alto pedestal (pódio); acentua-se a uma imponência arquitetônica da fachada, que se eleva sobre o fundo do céu como uma grandiosa cenografia.”
Antes da Grécia Antiga, a arquitetura se mostra um tanto obscura e misteriosa, um teatro de rituais sombrios e até mesmo macabros; uma ópera de efeitos histriônicos e formas caprichosas.
Apesar de não ser estritamente verdade, é apenas com a perfeição geométrica e com a nobre ordem dos templos e anfiteatros gregos que a arquitetura começa a oferecer uma ligação harmônica entre a humanidade e os deuses, o cotidiano e o espiritual, a arte da edificação e a magnífica simplicidade da natureza.
Os romanos foram capazes de nos deixar conceitos essenciais na valorização do espaço interno e na compreensão da dupla importância, estética e estrutural, de elementos como o arco e a abóbada. Observamos as relações adotadas na concepção do edifício, as quais, até hoje, estão presentes tanto no ofício do arquiteto como nas obras que remanescem através dos tempos.
Templos como o Parthenon e o Pantheon podem ser muito parecidos no âmbito da importância e grandiosidade. São templos únicos e especiais, de extrema importância para a história da arquitetura, porém são extremamente diferentes, com intuitos e representações diferentes, tomando como pressupostos todas as citações anteriores e, ainda assim, são templos igualmente importantes e históricos para o desenvolvimento da arquitetura.
Podemos dizer que Grécia e Roma antigas produziram, sem dúvida, dois dos mais importantes edifícios e cidades da história da arquitetura. Eles continuaram a inspirar arquitetos e planejadores de todo o mundo, mesmo na era da viagem espacial, da nanotecnologia e da internet.

Referências
ARGAN, Giulio Carlo. História da arte italiana: da Antiguidade a Duccio. V.1. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
FLETCHER, Banister. A history of architecture on the comparative method. 10ª Ed. Londres: B.T. Batsford, 1938.
GLANCEY, Jonathan. A história da arquitetura. São Paulo: Edições Loyola, 2001.
SUMMERSON, John. A linguagem clássica da arquitetura. 3º Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.
ZEVI, Bruno. Saber ver Arquitetura. 5ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
http://www.rome.info/pantheon/ - Acesso em 24/05/2009
http://www.soarquitetura.com.br/template.asp?pk_id_area=21&pk_id_topico=511&pk_id_template=1 - Acesso em 25/05/2009.
http://www.arquitetando.xpg.com.br/arquit.htm - Acesso em 26/05/2009.
http://www.greatbuildings.com/buildings/Pantheon.html - Acesso em 27/05/2009.
http://www.greatbuildings.com/buildings/The_Parthenon.html - Acesso em 27/05/2009.

12 comentários:

  1. gosteii muito desse assuntoo !!
    e muiito imteresante mais e muito grand esse textoo

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  2. Nossa amei muito mesmo !! obs: Texto bem grande !! Mas comparado com os livros que leio valeu a pena

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  3. Martinho S.Daniel 11 de março de 2016 20:40
    Amei com muita vontade Eu creioque um dia os meus sonhos serealiza

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